
Sustentabilidade
Pilar que orienta o desenvolvimento da Normando desde a primeira pesquisa até a construção final de cada coleção.
Investimos na criação de materiais, processos e parcerias que aproximam moda, ciência, tecnologia aos saberes da Amazônia. Tratamos cada decisão, do tecido ao aviamento, como parte da mesma escolha.
Para que aquilo que protege a floresta seja também aquilo que se deseja vestir, selecionamos fornecedores comprometidos com práticas de menor impacto ambiental, priorizamos matérias-primas de origem rastreável e tratamos a natureza não só como cenário, mas como parceira produtiva. Do cultivo das fibras ao acabamento das peças, buscamos processos que gerem valor onde ele costuma faltar: nas comunidades que sustentam a biodiversidade amazônica.
Acreditamos que a moda contemporânea não se mede apenas pela excelência do produto, mas pela integridade do caminho que o originou. É essa coerência, entre o que criamos e o modo como criamos, que dá sentido a tudo o que assinamos.
"A Amazônia é nosso ponto de partida para tudo. É da floresta que vem o cerne do nosso pensamento e nossas responsabilidades."
Marco Normando.

A floresta em pé
Antes de ser tecido, nossa juta e nossa malva são território e trabalho. Nascem às margens dos rios e igarapés, e são cultivadas por famílias agricultoras do Amazonas e do Pará, sem agrotóxicos, irrigadas pelo próprio fluxo natural das águas.
De lá seguem para a Companhia Têxtil de Castanhal, onde o beneficiamento mantém o ofício na região em que a fibra nasceu.
Essa cadeia tem uma lógica econômica precisa: a fibra só existe enquanto a várzea existir, e a renda que ela gera dá à floresta um valor que não depende de derrubá-la.

Materiais certificados
Certificar uma fibra é submeter a cadeia inteira a um crivo externo: a origem da semente, a água, a química do beneficiamento, as condições de quem trabalha. A certificação transfere a prova do discurso para o documento.
Cada fibra que entra no nosso ateliê passou por esse processo: EUROPEAN FLAX®, Lenzing™ EcoVero™ e TENCEL™, celulósicas de produção de baixo impacto. Amni Soul Eco®, o primeiro fio de poliamida biodegradável do mundo. Better Cotton, algodão cultivado sob critérios socioambientais. OEKO-TEX® Standard 100, o selo que atesta o que não está na peça.
Nossos aviamentos substituem o plástico e o marfim por matéria que a floresta oferece: corozo, madeira, chifre de búfalo descartado da pecuária marajoara e sementes de jarina do Marajó.

LiTex
A pesquisa começou de uma recusa em comum: o vinil e o couro sintético que dominam o mercado. Queríamos a mesma presença, mas sem o plástico.
Combinamos a resina de látex amazônico sobre linho europeu certificado EUROPEAN FLAX® e o resultado foi um material que ainda não existia.
O LiTex surge com a trama precisa do linho com o acabamento do látex.
Batizamos, testamos e vestimos. É nosso.

Um vestido feito de floresta
Foi com essas fibras que vestimos Alice Carvalho no tapete vermelho do Oscar 2026, no ano em que O Agente Secreto colocou o Brasil na disputa.
O desenho de Marco Normando ao lado da figurinista Jaiara Fontes. Alfaiataria estruturada no busto, cauda sereia no movimento, e um tecido que carrega um território inteiro.
A juta e a malva foram, por décadas, a fibra invisível do Brasil: sacaria de café, fundo de armazém, matéria bruta que o país usava sem olhar. Nós olhamos. Na nossa alfaiataria, elas ganham corte, estrutura e caimento, e a fibra que embalava commodity passa a construir silhueta. É a mesma planta, o mesmo rio, a mesma mão. O que muda é o destino.
Cerca de cem horas de construção transformaram matéria em silhueta e nenhuma etapa desse caminho é acaso. A fibra escolhida sustenta quem a cultiva. O beneficiamento em Castanhal mantém o ofício onde ele nasceu.
Quando esse vestido atravessa um dos maiores tapetes vermelhos do mundo, não leva apenas uma criação brasileira. Leva uma cadeia produtiva inteira, saberes preservados por gerações e a possibilidade de enxergar a floresta não como recurso a ser extraído, mas como origem de valor, cultura e futuro.
Foto: Frederic J. Brown / AFP

Reconhecimento Internacional
O trabalho de pesquisa desenvolvido pela Normando vem ganhando reconhecimento em importantes iniciativas internacionais voltadas à inovação, sustentabilidade e design.
Em 2025, a marca participou da London Climate Action Week, integrando a exposição "(Re)weaving Amazonia", que reuniu projetos de destaque em pesquisa e moda voltados à Amazônia. Durante o evento, os diretores criativos Marco Normando e Emídio Contente participaram da palestra "From Forest to Fashion: Rethinking Value in the Amazon", ao lado de Carry Somers, fundadora do Fashion Revolution, debatendo novas perspectivas para o desenvolvimento sustentável na moda.
No mesmo ano, a Normando integrou a programação oficial da COP30, Conferências das Nações Unidas em Belém, com uma exposição na Green Zone da ONU, apresentando suas pesquisas em materiais, processos e inovação aplicada à moda, reforçando seu compromisso com a integração entre design, ciência e sustentabilidade.



